Câmeras full frame. Elas fazem a diferença?

Hoje vamos começar uma série de artigos sobre nossas câmeras fotográficas. O objetivo é simples: entendê-las, compreender seu funcionamento relativamente à técnica e, finalmente, dominar aquele aparelho que seguramos com nossas próprias mãos cada vez que vamos fazer uma fotografia. No fim das contas, é muito difícil fabricar boas imagens se não entendermos a ferramenta que temos, e que é responsável por no-las oferecer.

Continue lendo para saber mais sobre:

  • Por que é que nos devemos importar com o tamanho do sensor
  • Qual a relação entre tamanho do sensor e distância focal
  • Maiores sensores produzem melhores fotografias?

O primeiro que vamos ver nessa série é o sensor. Na curta vida deste blog sobre fotografia já houve tempo de falar sobre o sensor em outras ocasiões, sobre o modo como funciona e sobre como o conservarmos limpo e pronto para fotografar. O que hoje vamos ver, concretamente, é o modo como seu tamanho condiciona o funcionamento de nossas câmeras. Você já ouviu falar de câmeras full frame ou, talvez, de câmeras 35mm? Vamos lá!

O que é um sensor full frame?

Certamente você ouviu falar de sensores full frame e de sensores 35mm. Pois é: eles são exatamente o mesmo. Mas, de onde é que vem essa medida tão aparentemente arbitrária? Por quê é que isso é considerado full frame e quais as implicações diretas na nossa fotografia? É isso que vamos ver.

O conceito de full frame faz referência ao tamanho completo (full) do sensor de nossas câmeras digitais. Esse tamanho é 35mm, e corresponde com o quadro 24x36mm. Na época da fotografia de filme, esse quadro em combinação com uma objetiva de 50mm era considerado o mais próximo à visão humana.

Você pode estar pensando que seu ângulo de visão é superior àquele que oferece uma objetiva de 50mm, e certamente é. Mas estamos falando não só de ângulo de visão, como também de distorção de linhas e outros conceitos matemáticos. 35mm era o tamanho de cada um dos quadros (frames) do filme fotográfico em que a luz era recolhida para cada fotografia.

A moderna fotografia digital adotou muitas fórmulas e conceitos da fotografia de filme, como é lógico. E esse conceito dos 35mm foi um deles e hoje continua sendo convencional e referencial para construir todas as demais medidas à volta das óticas. Por isso, imagine como seria se mudássemos essa constante dos 35mm: todas as medidas estariam mudando também!

Pois não imagine mais. Isso aconteceu! Daí uma das questões que mais costuma enganar e estragar o ânimo de quem se inicia em fotografia: o que isso significa? Para isso esse artigo e essa série que estamos começando. Vamos tentar clarificar algumas coisas, mas, antes de mais, você já deve se estar perguntando também: «essa minha câmera é full frame?»

Continue lendo para ver o quadro que colocamos mais abaixo com os principais modelos full frame ou nos contate para ficar sabendo.

Tamanho do sensor importa?

Pois é. Você se lembra daquela numeração das objetivas relativa à distância focal? Aquela de 50mm ou aquela outra de 18-55mm, tão comum nas lentes do kit?

Pois essas medidas são dadas em relação a um sensor full frame de 35mm. Mas o que acontece com câmeras que não têm assim esse sensor?

Nesses casos, é necessário aplicar um fator de multiplicação especificado pelo fabricante em cada um dos modelos. É assim: imagine que você tem uma Canon EOS 400D. Ela é uma câmera não full frame. Isso significa que seu sensor tem um tamanho menor do que 35mm.

O fator de multiplicação: o que isso significa?

Eu disse «fator de multiplicação»? Esse erro de nomenclatura é bem comum, mas, na realidade, é fator de corte, pois é aquele que devemos aplicar em casos e que o sensor é inferior ao full frame. Cada fabricante especifica um fator de corte para cada um de seus modelos.

Por exemplo, aquelas câmeras com fator de corte 1,5x têm sensor 1,5 vezes menor do que câmeras full frame. Simples, não é? Mas, o que é que isso significa?

Simples também. Significa que você deverá multiplicar por esse fator (daí o nome «de multiplicação») a distância focal especificada em sua lente. Vamos ver singelamente com mais um exemplo.

Imagine que você tem uma câmera com esse fator 1,5x e uma objetiva 50mm fixa. Isso significa que você está fazendo fotografias, na realidade, com uma objetiva 75mm fixa. E isso tem suas próprias implicações, como você já imagina.

Tudo em fotografia tem consequências, é claro. Para fotógrafos de natureza ou aqueles que fotografam vida selvagem o fator de corte joga a favor, pois com uma teleobjetiva 300mm sobre uma câmera com esse fator de corte, eles ganham uma objetiva 450mm.

Já para quem necessite distâncias focais muito curtas ou grandes amplidões de campo é tudo menos vantagem. Na mesma câmera, uma objetiva 14mm é, na realidade, equivalente a uma objetiva 21mm. Agora imagine câmeras com fator de corte maior!

E você, é dos fotógrafos beneficiados ou à inversa? Nos conte!


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